quinta-feira, 10 de julho de 2014

Na Casa e na Rua - Parte 2, Na Rua

Odores, sabores, medo e tensão. Rua não é casa, sempre devemos ficar atentos. Se a casa é o refúgio a rua é o tormento. Opositora da casa a rua representa perigo e degradação.

As ruas do Brasil colonial não eram um ambiente muito familiar, cheia de odores e excremento, humano e de animais. O lixo sempre foi uma constante nas ruas brasileiras. Isso tudo vem a reafirmar a visão que temos de casa e rua. Em casa nós cuidamos e limpamos, plantamos e deixamos vistosos nossos jardins, na rua as plantas morrem secas e é nela que nossos lixos se encontra.

Se em casa são as leis dos valores familiares que rege, na rua é a lei fria e dura do estado. Se na casa estamos dentro de uma hierarquia que nos coloca em um lugar, na rua somos todos iguais. A singularidade de nossa casa não pode ser encontrada na rua. Porém diferente de se tratar de um ambiente totalmente desvinculado ao da casa a rua vem como forma de completar o que falta na casa em forma de oposição à ela.

Foi no Rio de Janeiro do século 18 que os homens começaram a sair de suas casas em busca de prostitutas nas ruas, melhor dizendo nos bordeis. Estes bordeis porém não faziam parte da construção imaginária e cultural da casa e acabaram sendo classificado como rua. O mesmo aconteceu com a alimentação. Quem nunca ouviu falar que comida da rua é perigosa? Neste caso a "rua" se refere a restaurantes e lanchonetes, que mesmo não sendo uma via de transição não pode receber outro nome. Sem as ideias culturais do que é casa não há a percepção do que é rua.

Familiarizados com o privado e em grande dificuldade de lidar com o público materializamos isso na forma como lidamos com a rua e com a casa. É assim, somos brasileiros. Temos facilidade de sobrepor o privado sobre o público. Aliás rua esta para nós o mesmo que o diabo esta para Deus. Na cantiga dizemos "se esta rua fosse minha" pois a rua não é minha, ela é pública, mesmo que eu more nesta rua e eu não moro na rua. "Se fosse minha eu mandava ladrilhar" mas como não é minha dela não vou cuidar.

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